Concepções de currículo

INTRODUÇÃO

No Projeto Educativo do Brasil Marista, o currículo é concebido como um sistema complexo e aberto que articula, em uma dinâmica interativa, o posicionamento político da Instituição, suas intencionalidades, contextos, valores, redes de conhecimentos e saberes, aprendizagens e os sujeitos da educação/aula/escola.

No currículo, estabelecem-se os espaços de aprendizagem e os modos de orientar as políticas e práticas educativas, que se constroem nas tramas do cotidiano escolar. A construção do currículo é um processo coletivo. Ou seja, ele não é construído para, mas pelos diversos sujeitos que compõem o processo.

É importante ressaltar que o currículo pode ser pensado ainda como um entrelaçamento de múltiplos signos e significados, de certezas e incertezas, de instituídos e instituintes, ultrapassando as concepções cientificistas e prescritivas. Embora deva ter clara sua intencionalidade, o currículo não se constitui como natural, fixo, absoluto, mas é uma síntese resultante da tomada de decisão dos sujeitos da educação, dos espaçotempos de aprendizagens.

O currículo é espaço de relações que produz conhecimentos, saberes, valores e identidades e caracteriza-se como prática produtora de sujeitos do espaçotempo da escola. Não é isento de interesses, de intenções; ao contrário, é um campo no qual decisões políticas são tomadas, lutas culturais por significados são travadas, tensões entre diferentes visões de mundo estão presentes.

É também espaço social em que ocorrem movimentos de aproximação, afastamento e entrelaçamento, no qual se produzem e reproduzem conhecimentos, valores, significados, negociações, acomodações, contestações, resistências, uma pluralidade de linguagens e de objetivos. Um currículo aberto à contemporaneidade social, cultural, artística, científica e tecnológica favorece a reflexão crítica, a construção do saber, as experimentações com e na diferença; potencializa a compreensão, a produção e o uso de múltiplas linguagens; inclui temas culturais e temas emergentes da sociedade.

O Projeto Educativo do Brasil Marista desenha um currículo em que os contextos, conhecimentos, linguagens, significados, racionalidades e sujeitos sejam problematizados e que possibilita desnaturalizar formas socialmente validadas de ser professor e estudante. Compreende o currículo como dinâmica que seleciona, inclui e organiza as experiências educativas sob responsabilidade da escola e de seus sujeitos, de modo a efetivar suas teorizações e concepções e a atualizar nossa missão nos cenários contemporâneos.

Um currículo dessa natureza – aberto às diferentes formas de pensar e viver o mundo – configura-se como um mapa-roteiro conectável em todas as suas dimensões, desmontável, reversível, suscetível a modificações. Diferente de currículo como sinônimo de grade, assemelha-se mais a uma teia ou rede.

A opção pela apresentação do currículo em forma de Mandala, vem da intencionalidade presente no projeto Educativo do Brasil Marista que compreende a Educação Integral, a formação e o desenvolvimento humano plenos da pessoa na sua integridade e inteireza (do corpo, da mente, do coração e do espírito). Visa dessa forma,“ contemplar uma interligação entre as diferentes dimensões da pessoa humana. A educação integral que o projeto se propõe se contrapõe a reducionismos da educação e do próprio ser humano”. (projeto educativo do Brasil Marista , pag 103)

A Mandala é o símbolo que remete ao esforço incessante de nos reconhecer em constante mutação. O currículo é então compreendido como espaço de trocas de saberes, “considerando-se que o saber é produzido socialmente pelo conjunto das pessoas nas relações por elas estabelecidas em suas atividades práticas, isto é , deve se levar em conta que o indivíduo aprende, compreende e transforma as circunstâncias ao mesmo tempo em que é por elas transformado.”

O currículo entendido dessa forma desafia-nos a garantir as trocas entre saberes que nos “levem a uma prática pedagógica aberta ao contínuo processo de transformação, que não se caracterize como espaço de dominação e aprisionamento cultural/intelectual”.

 

CONCEPÇÕES INERENTES A CONSTRUÇÃO DO CURRICULO

  • CURRICULO: O currículo organiza, dinamiza e potencializa os princípios e intencionalidades institucionais, estruturando e mobilizando as grandes áreas de conhecimento e seus componentes curriculares em redes de conhecimento, saberes, valores, aprendizagens e sujeitos da educação, da aula e da escola. No currículo estabelecem-se os espaços de aprendizagem e os modos de orientar as políticas e práticas educativas, que se constroem nas tramas do cotidiano escolar. O currículo integrado é uma possibilidade para viabilizar o diálogo entre os códigos da pós-modernidade e da modernidade, visto que reconhece a contribuição e o valor do conhecimento especifico organizado nas ciências e em componentes curriculares, mas questiona a autossuficiência e o isolamento de cada um. Por isso provoca o estabelecimento de nexos intra e interdisciplinares entre conteúdos, métodos, conceitos, significados, discursos e linguagens dos componentes curriculares. Nessa proposta, supera-se a dicotomia e a fragmentação cede lugar a uma abordagem e uma produção de conhecimentos interdisciplinares e contextualizada.
    • SABERES – os projetos pedagógicos pautados pela problematização das culturas que atravessam a escola devem incorporar os saberes, os gostos, as linguagens, as ciências, os valores e as estratégias de conhecer dos coletivos. A escola vai se constituindo num espaçotempo de diálogo inter e intracultural, configurando-se como espaçotempo de articulação de cultura-educação-formação.
    • VALORES: A educação Marista assume uma concepção cristã e sistêmica da pessoa humana na configuração de uma educação integral, de modo a educá-la na e para a solidariedade, formando agentes de transformação social e encorajando-os a assumir sua responsabilidade pelo futuro da humanidade. É comprometida com o percurso da formação humana e da evangelização como centro do processo educativo que visa à formação cristã e cidadã, mediante o cultivo da justiça social, da solidariedade, da responsabilidade, da ética e do protagonismo na construção de uma humanidade nova.
    • COMPETENCIAS: Capacidade de construir e mobilizar diversos recursos para interagir e intervir em situações complexas de modo a resolver problemas e alcançar objetivos derivados de projetos pessoais e coletivos. Competência é um conceito integrador, que mobiliza – em múltiplas realidades e contextos – estruturas cognitivas, conhecimentos, conteúdos, saberes, experiências, valores, linguagens, habilidades, entre outros.
      • COMPETÊNCIA ACADÊMICA – Diz respeito à construção, investigação, sistematização e comunicação de saberes, conhecimentos, linguagens, tecnologias, configurados como conteúdos curriculares (conjunto de conceitos, discursos, valores, condicionantes sócio-históricos do objeto de estudo).
      • COMPETÊNCIA ÉTICO-ESTÉTICA – Diz respeito à construção de valores e atitudes na perspectiva ética e estética, fundamentados no Evangelho e concretizados no desenvolvimento de uma cultura do cuidado, da solidariedade e da paz e na luta pela promoção e defesa dos direitos humanos.
      • COMPETÊNCIA TECNOLÓGICA – Diz respeito à apropriação e manejo de artefatos/produções culturais que geram e articulam significados, formas de conhecer e formas de inter-relacionamento dos sujeitos no mundo e com o mundo.
      • COMPETÊNCIA POLÍTICA – Diz respeito à mobilização de conhecimentos, habilidades e valores para intervenção nos espaçotempos sociais com base na análise crítica de diferentes concepções e projetos posicionando-se eticamente em relação a eles. Compreende também a capacidade de participar de processos de negociação e de decisão em diferentes âmbitos.
      • CONTEXTO SOCIAL POLITICO E CULTURAL: A contemporaneidade assiste ao surgimento de novas categorias sociais – como, por exemplo, múltiplas infâncias e juventudes – novos modos de produção e de organização do trabalho, maneiras inéditas de organização das instituições sociais, como a família, a escola, a Igreja e as empresas, novas produções simbólicas, novas subjetividades e redes sociais.

Paradoxalmente, apesar do grande avanço das ciências e das tecnologias produtivas, a desigualdade e o distanciamento entre ricos e pobres agravam-se, ampliando-se a crise social. Esse contexto amplia a segregação e a violação dos direitos sociais, econômicos, políticos e culturais, fragilizando a convivência entre os povos e fazendo emergir o cultivo da competição, a exclusão e o aumento alarmante da violência. Portanto a educação e seus atores veem-se diante de um mundo ambivalente, multidimensional e de uma complexidade tal que exige dos sujeitos da escola a construção de um novo olhar para apreendê-lo e de uma nova inteligência e sensibilidade para interagir com ele e seus diversos contextos.

  • DIVERSIDADE E MULTICULTURALIDADE: Cultura são produções humanas, materiais e simbólicas espaçotemporalmente situadas permeadas por relações de poder e produção de sentidos e significados. A produção de cultura explicita as habilidades dos sujeitos para produzir e significar múltiplas linguagens, diferentes sujeitos e seus modos de ser e diferentes mundos. Esse conceito traz à discussão a ideia de multiculturalismo em oposição aos projetos culturais hegemônicos e homogeneizantes, reconhecendo a legitimidade de todas as culturas. O multiculturalismo opta por processos educativos inclusivos, via currículos que incorporam “as tradições culturais dos diferentes grupos  culturais e sociais” contempladas em uma diversidade orgânica. Embora não desconheça as tensões produzidas na e pela diversidade/diferença, busca o diálogo intercultural amoroso, a alteridade e a solidariedade. Assim, a cultura é compreendida como elaboração intrinsecamente humana, incapaz de se construir sem o relacionamento entre sujeitos. Ela integra e inclui todos os diferentes modos de produzir e significar a vida.
  • SUJEITOS: O projeto educativo do Brasil Marista assume a concepção de que mulheres, homens, meninas e meninos são sujeitos inteiros, diversos e diferentes que se relacionam com o mundo, com os conhecimentos e saberes a partir de sua inteireza e sua singularidade. Assim a concepção aqui adotada compreende a pessoa humana como sujeito, ao mesmo tempo como sujeito sócio-histórico, sujeito de cultura, sujeito desejante, sujeito epistêmico, sujeito de relações interpessoais, sujeito do brinquedo e da brincadeira, sujeito da ética e da estética. Enfim mulheres e homens, meninas e meninos em relação com o mundo e com Deus, capazes de constituir e de constituir o mundo, sujeitos do fazer-pensar da educação.(…)

Supera-se, então, a visão homogeneizante, estática, monolítica e estereotipada do sujeito, dando-lhe outros significados, compreendendo-o na sua diferença, enquanto indivíduo que possui historicidades, racionalidades, conteúdos simbólicos, visões de mundo, desejos, projetos, frutos das experiências vivenciadas nos mais diferentes espaços sociais e culturais que está inserido. Ou seja, os sujeitos da educação e da escola trazem em suas histórias concepções, idéias, valores e significados construídos em amplos e diferentes universos socioculturais. O sujeito não é. Torna-se  o que é nas tramas das relações de poder, das relações sociais, das enunciações, dos discursos filosóficos, psicológicos, psicanalíticos, pedagógicos, antropológicos, sociológicos e teológicos que atravessam e inundam o cotidiano e que subjetivam modos reconhecidos de ser homem e mulher, criança e jovem considerando a pluralidade de discursos identitários, de papéis sociais e culturais nos mais variados contextos nos quais se situa e se forma, estando sempre incompleto e inacabado, em constante processo de constituir-se em devir.

  • FORMAÇÃO DE EDUCADORES – é importante que o professor atue como um agente cultural, praticante de pedagogias culturais, pois assume a responsabilidade pela diversidade de temáticas do cotidiano abordadas na escola, problematizando e ampliando os currículos oficiais, criando teias de significados, percebendo-se como autor e agente de currículo. Investir na formação favorece o alargamento da visão de mundo que, assim, constroem e se apropriam de significados e valores que possibilitam uma vida social de mais qualidade.
  • APRENDIZAGEM: É um processo intra e intersubjetivo que produz saberes, artefatos, fazeres e identidades e se fundamenta numa visão de pessoa como sujeito ativo em complexas interações, interesses, contextos sociais e culturais e experiências de vida. É um movimento de reconstrução do objeto de conhecimento pelo sujeito e de modificação do sujeito pelo objeto, interagem dimensões formadoras, valores, culturas, saberes e conhecimentos. Aprendizagem é mais do que aquisição ou apreensão da rede de determinados corpos de conhecimentos conceituais socialmente considerados relevantes e organizados nos componentes curriculares. É sobretudo, modificação desses conhecimentos, criação e invenção de outros necessários para entender aquilo a que damos o nome de realidade. (…) A aprendizagem assume diferentes perspectivas não lineares, mas complementares e inter-relacionadas tais como:
    • APRENDIZAGEM CONSCIENTE: o sujeito responsabiliza-se por sua aprendizagem, agindo como autor regulador no seu processo formativo;
    • APRENDIZAGEM COOPERATIVA: envolve a atuação coletiva, em que a participação do grupo gera e amplia os questionamentos e resultados na construção do conhecimento;
    • APRENDIZAGEM CONTINUADA: processo continuum gerado pelas demandas contextuais, que criam a necessidade de atualização, elaboração, reelaboração e processamento de conhecimentos e deformas de conhecer;
    • APRENDIZAGEM INTERDISCIPLINAR: possibilita uma compreensão globalizadorados objetos de estudo e das realidades, estabelecendo nexos entre os conhecimentos;
    • APRENDIZAGEM CONTEXTUALIZADA: favorece a apreensão de aspectos  socioculturais significativos ligados ao cotidiano e às circunstâncias que atravessam/compõem os objetos de estudo;
    • APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA: ocorre por meio da vinculação de novos conhecimentos aos que já fazem parte do repertório do sujeito, desenvolvendo-se uma rede de significados em permanente processo de ampliação. A cada nova interação, um novo sentido é produzido e a compreensão e o estabelecimento de relações são potencializados;
    • APRENDIZAGEM COMO SINTESE PESSOAL: resulta da relação sujeito objeto do conhecimento mediada pelas realidades. Produz uma construção pessoal singular de saberes e conhecimentos e formas próprias de comunicá-los e dar-lhes significados.
    • COMPONENTES CURRICULARES:

O componente curricular corresponde a recorte epistemológico de determinada área do conhecimento ou campo de saber. É composto por objeto de estudo, teorizações sobre esse objeto (condicionadas pelos contextos), conhecimentos, saberes, valores e conceitos, sua manifestação e tratamento se dão por meio de linguagens e racionalidades (metodologia) próprias. O currículo organizado em componentes curriculares permite criativas e infinitas composições, possibilitando explorar temáticas, conteúdos e diferentes visões de mundo, além de favorecer a otimização dos espaços para o desenvolvimento das atividades e a (re)adequação do espaçotempo escolar.

  • DIFERENTES LINGUAGENS: As linguagens constituem o mundo e são constituídas por ele, em um movimento contínuo de interação, construção e descontrução. As práticas de linguagem que  compõem  a vida social, em toda a sua dimensão, variam em função de situações, culturas, valores e atitudes, dando origem a um emaranhado e complexo feixe de relações socioverbais. O exercício de compreender as diversas e diferentes linguagens que compõem o mundo exige a análise de contextos, de suporte, das identidades dos sujeitos envolvidos e das inúmeras variáveis que interferem, pois se trata de um ato de produção e apropriação de sentidos que se caracteriza pela provisoriedade e incompletude. O discurso é o espaço em que saber e poder se articulam, constituindo relações de saber-poder, uma vez que esses são elementos que não se dissociam e estão intrinsecamente conectados um com o outro, um ao outro, pois quem fala fala de algum lugar, a partir de um direito reconhecido institucionalmente.
  • AUTONOMIA: Da mesma forma que os espaços são pedagógicos, o tempo também é fator que interfere no processo de educação integral. No tempo de permanência dos sujeitos na escola, criam-se oportunidades de aprendizagens socioculturamente relevantes e de caráter emancipatório, que implica na capacidade de tomada de decisão, compromisso com a Missão Institucional e qualificação dos processos e das práticas educativas
  • METODOLOGIAS As metodologias pautadas pelo currículo integrado compreendem projetos e sequencias didáticas que favorecem a investigação e a problematização. A operacionalização dessas estratégias exige a utilização de múltiplas mídias e linguagens e o trabalho com temas culturais tendo na solidariedade um eixo fundamental. A operacionalização de projetos e sequencias didáticas, requer abordagem interdisciplinar das áreas de conhecimento, utilização de múltiplas mídias e linguagens e a solidariedade como eixo transversal do processo curricular.
  • AVALIAÇÃO CURRICULAR: A ação de avaliar consiste num processo que deve ser sistemático, compartilhado e demanda assertividade, organização, sensibilidade e criticidade. E, relação aos tempos e movimentos de ensinar e aprender, as estratégias e os instrumentos avaliativos devem ser diversificados, diferenciados, coerentes e adequados, de forma a garantir a qualidade da educação. Os dados resultantes do conjunto de estratégias e instrumentos avaliativos devem ser sistematizados e registrados de tal forma que subsidiem o acompanhamento individualizado dos estudantes, a tomada de decisão e o gerenciamento da dinâmica curricular.
    • ESPAÇOTEMPO: A escola é compreendida como espaçotempo, pois se materializa num tempo e lugar localizados, precisos, específicos, numa história e geografia cotidianas, nas quais nos formamos como sujeitos da educação marista. Os espaçostempos da educação marista são polissêmicos e polimorfos, possuem uma multiplicidade de sentidos e formas. Isso implica levar em conta que os espaços, tempos e relações são significados e organizados de forma diferenciada pelos seus sujeitos, dependendo da cultura e dos projetos dos diversos grupos sociais neles existentes.
      • Espaçotempos de pastoral que articula fé, cultura e vida;

Trata-se de sermos uma Escola em Pastoral: espaçotempo do anúncio, do testemunho e da comunhão; da compaixão pela humanidade; do compromisso com as causas da justiça e da paz; do conhecer-experienciar-aderir68 aos valores do Evangelho, concretizados no desenvolvimento de uma cultura do cuidado, da solidariedade. A proposta é impregnar os conteúdos e as práticas com os valores evangélicos e construir espaçotempos de atuação dos sujeitos da escola a partir desses valores na comunidade educativa interna e nos espaços públicos. Espaçotempo de pastoral que articula fé, cultura e vida: da pedagogia do amor, da presença, da escuta/diálogo, do cuidado, da solidariedade,do anúncio da Boa Nova.

  • Espaçotempos de investigação e produção de conhecimentos;

Espaçotempo de investigação e de produção de conhecimentos: da pedagogia da pergunta, da pesquisa, do questionamento, da reflexão, da sistematização de conhecimentos, de saberes e seus discursos.

  • Espaçotempos de criação – Espaçotempo da criação: da Pedagogia da invenção e produção de arte, Ciências, estéticas, filosofias e discursos.
  • Espaçotempos de aprendizado político e ético –espaçotempos de construção de projeto de vida – Espaçotempo do aprendizado político e ético: da pedagogia da negociação e os acordos, da interação com a diferença.
  • Espaçotempo de construção de projeto de vida – o cuidado consigo mesmo e com os outros que contempla vocação, missão e solidariedade.
  • espaçotempos de formação continuada dos profissionais da educação do perfil ao profissionalismo – A formação deverá contemplar as teorizações e concepções que sustentam o Projeto, mediante estudos sistemáticos, grupos de estudo, seminários, videoconferências, oficinas, cursos de extensão e intercâmbios.
  • espaçotempos de avaliação contínua.  Avaliação continua de processos, projetos, práticas, sujeitos e instituições.

 

  • ARQUITETURAS EDUCATIVAS: ESPAÇOS E TEMPOS PEDAGÓGICOS

Em se tratando do mundo da educação, os conceitos de arquitetura, espaço, habitat e ambiente vão muito além das dimensões físicas, pois levam em conta os espaços e os tempos educativos. E estes são, acima de tudo, produtos de relações sociais – ou melhor, são eles próprios relações sociais. A arquitetura e os espaços ganham contornos mais amplos e complexos no universo pedagógico. É preciso considerar que neles há um currículo em atuação e que são permeados por conteúdos, significados e culturas. Funcionam como uma pedagogia, como um terceiro educador: há um currículo em atuação; por eles circulam conteúdos, significados e culturas; contêm um conjunto organizado de

estratégias de ensinar, de regras a seguir, de modos de viver e de agir; forjam sujeitos, suas posições e modos de ser. Levar isso em consideração significa olhar para a arquitetura e os espaços escolares de uma forma mais ampla e complexa. Por isso, merecem todo o cuidado e atenção no projeto pedagógico-pastoral das escolas.

A arquitetura educativa e os espaços pedagógicos abrangem estrutura física, localização, organização, distribuição e arranjo dos seus elementos constituintes, os sujeitos da educação e suas relações (entre si, com os constituintes do espaço e com o próprio espaço), a variedade e a qualidade dos materiais, as linguagens (sons, silêncios, gostos, sabores, aromas, cores, luzes, sombras, temperatura, formas, texturas, afetos…), estética, ética, solidariedade, acessibilidade, alma, multifuncionalidade, polivalência, segurança, interesses, significados e respeito às culturas que por eles transitam. Portanto, não são neutros e sempre dizem algo. Dinâmicos, estão sempre se transformando, se recriando, ganhando novos sentidos à medida que os grupos sociais que neles se estabelecem também vão se modificando. São espaços pedagógicos todos aqueles por onde os estudantes/ educandos circulam e que podem se constituir em lugar de ensinaraprender segundo a intencionalidade dos sujeitos e da escola.

A produção de arquiteturas educativas e espaços pedagógicos revela o modo como lemos os grupos sociais que circulam na escola, sua história, sua cultura. Espaços constituídos com zelo e carinho possibilitam que os estudantes/educandos construam uma relação de amor, de amizade com a escola-lugar, uma “topofilia”.

  • PLANEJAMENTO CURRICULAR: O Projeto Educativo do Brasil Marista opta pelo planejamento curricular compartilhado, cuja dinâmica se faz no uso de diferentes linguagens, integrando conhecimentos e saberes previamente selecionados.

Tais conhecimentos e saberes se constituem nos eixos estruturantes e nos conteúdos nucleares das áreas de conhecimento, e, a partir deles, são acrescentadas novas pautas que se vão instituindo na abertura às demandas dos sujeitos, às realidades, às culturas.

O planejamento curricular compartilhado reconhece o contrato didático como uma estratégia de negociação reguladora da relação didática construída pela interação entre estudantes, o saber e o professor, considerando todos os elementos que atuam nessas interações, bem como normas, regras e compromissos que visam as relações ensinoaprendizagem mais significativas.  o planejamento não se configura como antecipaçã, como um priori, mas sim como processo. O planejamento define um mapa para os sujeitos se situarem e, a partir desse mapa, percorrerem uma trajetória de construção de conhecimentos, saberes, valores e identidades.

FORMAS DE ORGANIZAÇÃO E DINAMIZAÇÃO DE UM CURRÍCULO INTEGRADO

ORGANIZAÇÃO DO CURRÍCULO POR ÁREAS DE CONHECIMENTO

Linguagens, códigos e suas tecnologias; matemática, suas linguagens e tecnologia; ciências da natureza, suas linguagens e tecnologias; ciências humanas, sua linguagens e ecologias.  Propõe um posicionamento crítico do currículo perante a disciplinaridade. Nesta perspectiva, apresenta-se como um novo arranjo curricular que supera o isolamento e a autonomia dos componentes curriculares e abre a possibilidade de diálogo e convivência entre eles, compondo áreas de conhecimento mais abrangentes. Assim rompe-se com a estrutura de grades curriculares que encerram as disciplinas em si e criam-se redes  e teias curriculares que reconhecem as conexões entre os saberes, os valores, os conhecimentos e as especificidades conceituais, discursivas e metodológicas dos componentes curriculares gerando uma perspectiva mais sistêmica e ampla de conhecer, problematizar, pensar, dizer e viver as realidades.

  • Linguagens, códigos e suas tecnologias e os diagramas das disciplinas;
  •  matemática, suas linguagens e tecnologia e os diagramas das disciplinas;
  • ciências da natureza, suas linguagens e tecnologias e os diagramas das disciplinas;
  • ciências humanas, sua linguagens e ecologias e os diagramas das disciplinas.

ORGANIZAÇÃO DO CURRÍCULO POR TEMAS CULTURAIS:

Currículos organizados sob esta perspectiva funcionam como chaves de leitura e problematização da realidade, pois neles a vida, o mundo, as realidades e as culturas são reconhecidas como saberes escolares. Planejar o currículo recorrendo às temáticas culturais implica incluir nele saberes impregnados de culturas ditas subjugadas e menores, de novas tentativas de reconceitualizar a cultura, de políticas de identidade e de representação. Significa, enfim, estar no jogo da pluralidade e das diferenças, no tecido complexo de produção dos significados que atravessam as teias discursivas,

nos espaços difusos que se produzem em relações de saber-poder e mantêm o currículo sempre em aberto e sujeito às marcas dos espaçotempos em que vivemos e nos quais nos constituímos sujeitos da educação, da escola e do currículo.

ORGANIZAÇÃO DOS CURRICULOS NA PERSPECTIVA DE PROJETOS

Os projetos fundamentam-se em acordos éticos baseados tanto nas propostas dos estudantes (aquilo que eles querem saber) como emsuas necessidades formativas (aquilo que os professores consideram importante para sua formação). Desta forma, professores e estudantes regulam a organização e as dinâmicas curriculares e o processo de ensino-aprendizagem. Os projetos permitem reorientar e reorganizar

os itinerários de construção do conhecimento e trabalhar os conteúdos e seus contextos na globalidade.

É importante destacar que uma forma de organização do currículo não exclui as demais – o Projeto Educativo do Brasil Marista sugere o uso e a combinação das três possibilidades de acordo com os itinerários curriculares que a escola deseja e necessita percorrer.

 

PRINCÍPIOS NORTEADORES

EDUCAÇÃO DE QUALIDADE COMO DIREITO FUNDAMENTAL

O Projeto Educativo do Brasil Marista procura assegurar a educação de qualidade como direito social fundamental, conforme estabelecido na Constituição Federal5 e reafirmado no Plano Nacional de Educação (PNE)6, no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)7, na Lei nº 9.394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB)8 –, no Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH)9 e no Decreto nº 6.094/07

ÉTICA CRISTÃ E BUSCA DO SENTIDO

A ética cristã fundamenta o agir humano e as relações, reconhecendo e acolhendo a diversidade religiosa, propondo a construção de um projeto de vida e favorecendo a formação de “[…] pessoas integradas e de esperança, com profundo senso de responsabilidade social”

SOLIDARIEDADE NA PERSPECTIVA DA ALTERIDADE E DA CULTURA DE PAZ

A cultura da solidariedade e da paz promove a participação em atividades que transcendem o âmbito dos interesses individuais e familiares, propiciando vivenciar a sensibilidade, a corresponsabilidade e a alteridade. Educamos na e para a solidariedade, acolhendo a diversidade e promovendo o diálogo, a amorosidade e o respeito.

EDUCAÇÃO INTEGRAL E A CONSTRUÇÃO DE SUBJETIVIDADES

A educação integral requer ampla visão da pessoa e de seu desenvolvimento, que aqui se traduz no processo formativo de subjetividades, nos modos de ser sujeito, em sua integralidade e inteireza (corpo,  mente, coração e espírito).

INFANCIAS, ADOLESCENCIAS, JUVENTUDES E VIDA ADULTA: UM COMPROMISSO COM AS SUBJETIVIDADES E CULTURAS

O compromisso com as infâncias, adolescências, juventudes e vida adulta atua na defesa, promoção e garantia dos direitos de crianças, adolescentes, jovens e adultos, considerando tempos, saberes e fazeres e, portanto, valorizando suas culturas e subjetividades.

MULTICULTURALIDADE E PROCESSO DE SIGNIFICAÇÃO

A multiculturalidade reconhece a importância das diferentes produções culturais e dos processos de significação, opondo-se a uma visão cultural hegemônica e promovendo a inclusão e o diálogo entre as culturas nos espaçotempos educativos.

CORRESPONSABILIDADE DOS SUJEITOS DA EDUCAÇÃO

A corresponsabilidade dos sujeitos da educação abre espaço para o debate, para a análise crítica e para o engajamento, potencializando  aprendizagem política. Este princípio implica capacidade de tomada de decisão, concretização das ações, compromisso com a Missão Institucional e qualificação dos processos e das práticas educativas.

PROTAGONISMO INFANTO-JUVENIL COMO FORMA DE POSICIONAMENTO NO MUNDO

O protagonismo infanto-juvenil como forma de posicionamento no mundo, possibilita que os sujeitos se assumam como capazes de conduzir processos individuais e coletivos.

CIDADANIA PLANETÁRIA COMO COMPROMISSO ÉTICO-POLÍTICO

A cidadania planetária como compromisso ético-político com a ecopedagogia, como uma prática sociocultural que respeita a vida em toda a sua complexidade e diversidade, orientando para a construção da cidadania terrena e para a criação de um sentimento de pertença, de que somos partícipes de uma comunidade planetária.

PROCESSO EDUCATIVO DE QUALIDADE COM ACESSO, INCLUSÃO E PERMANENCIA.

O processo educativo de qualidade com acesso, inclusão e permanência possibilita o acompanhamento individualizado de cada estudante e fortalece vínculos, favorecendo o sentimento de pertença e a permanência na escola marista, inclusive daqueles vindos de meios socialmente desfavorecidos.

O CURRICULO EM MOVIMENTO

O currículo em seu contínuo movimento de construção para a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, considera contribuições e conquistas sociais, culturais, políticas, econômicas, científicas e educacionais.

FORMAÇÃO E DESENVOLVIMENTO HUMANO

FORMAÇÃO E DESENVOLVIMENTO HUMANO PLENOS DA PESSOA, NA SUA INTEGRIDADE E INTEIREZA DO CORPO, DA MENTE, DO CORAÇÃO E DO ESPÍRITO: Contemplar uma interligação entre as diferentes dimensões da pessoa humana.

 

EDUCAÇÃO INTEGRAL

EDUCAÇÃO INTEGRAL DE TEMPO INTEGRAL NO PROJETO EDUCATIVO DO BRASIL MARISTA: As politicas educacionais para a Educação Básica apontam para a expansão  da jornada  escolar, sob a perspectiva de implantação das escolas de tempo integral, nas quais sejam ampliadas as oportunidades de aprendizagem e os espaços pedagógicos, tendo em vista a melhoria quantitativa e qualitativa do serviço educacional. No aspecto quantitativo, essa expansão significará um maior número de horas destinadas ao processo pedagógico. No qualitativo, permitirá melhora da aprendizagem, da convivência social, dos processos formativos e da vivencia da cidadania.

A escola de tempo integral requer um projeto histórico, cultural e socialmente relevante caracterizado pela diversificação de conteúdos, de metodologias e oferta de atividades educativas que atendam as necessidades e potencialidades dos estudantes. Requer ainda a otimização e adequação de sua infraestrutura; a formação e ampliação do tempo de dedicação dos profissionais da educação; garantia de condições de trabalho; uma dinâmica e uma organização curriculares coerentes, que produzam sentido para a ampliação do tempo escolar e garantam diálogo com os contextos sociais políticos e culturais das realidades nas quais a escola esta inserida.

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