GT EDUCAÇÃO INTEGRAL

4

abr
2013

Palestra “Educação Integral e Politicas Públicas”

PALESTRANTE: Jaqueline Moll

DATA: 04 de abril de 2013.

 

CURRÍCULO JAQUELINE MOLL: Possui graduação em Pedagogia pelo Centro de Ensino Superior de Erechim (1986), especialização em Alfabetização pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1997), especialização em Educação Popular pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (1988), mestrado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1991) e doutorado em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1998) tendo realizado parte dos estudos na Universidade de Barcelona (1997). Atualmente é professora associada 3 da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, professora colaboradora da Universidade de Brasília e Diretora de Currículos e Educação Integral da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em políticas públicas e práticas pedagógicas, atuando principalmente nos seguintes temas: alfabetização, educação de jovens e adultos, fracasso escolar, pedagogias urbanas e relações entre escola e cidade. Coordena no Ministério da Educação a implantação do Programa Mais Educação como estratégia para a indução da política de educação integral no Brasil. (http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&id=K4721475Y9)

 

SÍNTESE DA PALESTRA

 INÍCIO DO DIÁLOGO

A escolha pela escola marista João Paulo II foi consciente, sou uma mãe presente e estou muito satisfeita com a educação Marista. A rede Marista tem uma perspectiva de educação integral que vai além da tendência de mercado pelo conteudismo.

A vida e a educação são bem mais do que simplesmente passar no melhor concurso e ter o melhor salário. Sei da pressão dos pais pelo conteúdo e desejo de sucesso de seus filhos nos vestibulares mais concorridos. Porém, considero que não é possível que tenhamos uma educação focada somente nos conteúdos. Atualmente, temos um problema das escolas mercadológicas que estimulam uma espécie de neurose competitiva entre os estudantes.  A escola deve, também, proporcionar a resolução de conflito, o espaço de diálogo, a participação efetiva dos estudantes, o envolvimento da comunidade escolar, o espírito de solidariedade, o compromisso com o mundo, etc.

Dedico minha vida a discutir educação integral, que também pode ser em tempo integral. Outros países têm uma média de seis horas diárias de aula. Discutir a questão do tempo integral também é necessário em virtude, entre outros motivos, de vivermos em uma sociedade que pai e mãe são força de trabalho. LéviStrauss formulou questionamentos interessantíssimos sobre o mundo do trabalho e o respectivo impacto na família.

 

EDUCAÇÃO INTEGRAL EM TEMPO INTEGRAL

A ampliação do tempo é uma exigência contemporânea. A educação integral em tempo integral é uma tendência irreversível da sociedade brasileira. Muitas vezes, a família estendida é a comunidade escolar. No entanto, o tempo integral sem a dimensão de educação integral é falha. Não podemos ampliar o tempo fazendo o mesmo que fazíamos antes.

A educação nunca pode ser reduzida a uma mercadoria. O estado deve oferecer educação integral para todos, conforme Emenda Constitucional 59, que tornou a educação obrigatória dos 4 aos 17 anos. Assim sendo, a educação é um direito da criança e do adolescente. Na nossa sociedade a noção de direitos ainda é muito falha. Devemos entender que a escola é um espaço de defesa de direitos.  Estamos num momento importante de consolidação de direitos no Brasil. Tivemos, recentemente, a afirmação dos direitos do último nicho de trabalhadores, as empregadas domésticas. Este fato denota uma profunda mudança de hábitos e costumes das famílias brasileiras, que, ainda hoje, reproduzem o modelo de senhores e vassalos. Na escola, a lógica de que chega alguém e limpa a sujeira do aluno reproduz a sociedade de vassalos e senhores. A tendência é que as famílias se organizem para terem mais autonomia e envolvimento de todos com as atividades domésticas. Com toda essa mudança de cenários, teremos uma maior procura pelo turno integral.

A questão da educação integral no Brasil não será resolvida com uma nova metodologia milagrosa ou com um único modelo. Temos que pensar várias metodologias e modelos, que se afirmam e confirmam por meio de processos historicamente construídos. Exemplo da experiência espanhola: o saber do professor não é mais a única fonte de saber para o estudante.

Esse modelo de quadro, pergunta e resposta está condenado ao insucesso. Temos que romper com o modelo de aulas de 50 minutos. Não é produtiva a troca de professores, com temáticas diferentes, pois o tempo real da aula fica em 25 minutos. Com esse tempo é impossível despertar o interesse do estudante pela investigação e descoberta de novos conhecimentos.

Conforme Miguel Nicolelis, a neurociência constatou que as relações sinápticas das novas gerações mudaram, pois os estímulos são outros e múltiplos. A revolução tecnológica permite uma outra visão e comunicação com o mundo.  Acredito que as grandes mudanças não vão ser feitas por nossa geração, mas quando as gerações digitais forem os gestores das escolas. As nossas crianças já usam as tecnologias. Todos terão tablets. O livro didático vai mudar muito em virtude da tecnologia.

Fernando Mires diz que estamos no olho do furacão, pois estamos construindo esse novo modo de ser escola.

 

POLÍTICAS PÚBLICAS

O Brasil tem 50 milhões de estudante na educação básica, com 30 milhões no ensino fundamental.  Mesmo com esses números, não temos no Brasil um sistema de educação instituído. Temos algumas parametrizações, a exemplo da LDB e Diretrizes Curriculares. A LDB tem uma perspectiva de educação integral, considerando as relações familiares, culturais, fatos sociais.  A concepção da LDB não é conteudista, temos claramente os componentes curriculares, linguagens e áreas de conhecimentos. Os Parâmetros Curriculares Nacionais não tem mais validade nacional.

Cerca 70% das escolas públicas do Brasil não foram construídas com o fim de ser escola, são prédios adaptados de hotéis, presídios, órgãos públicos, entre outros. Assim, a questão da ambiência dos espaços não favorece a educação e o interesse do estudante pela escola. A Educação integral em tempo integral exige reorganização dos espaços.

Um dos maiores desafios do Brasil é que o ensino médio não é obrigatório. O Brasil tem 10 milhões de estudantes no ensino médio, com muitos jovens fora da idade escolar.  A reprovação no Brasil se tornou parte da metodologia de ensino, mesmo com a LDB falando em recuperação processual. O desenvolvimento educacional tem haver com o desenvolvimento social. Exemplo da adequação da idade – anos de escolaridade – PIAUI – começa com 99% de adequação e termina com 29% de adequação. A escola só ratifica o que recebeu da sociedade. Constata-se uma condenação territorial de desenvolvimento e condições educacionais.

93% do ensino fundamental no Brasil é na rede pública. A escola no Brasil não é o completo caos como nos passa a mídia. Temos exemplos de boas escolas públicas: Sobral – CEARÁ; Apucarana – PR com uma resposta rotunda à exploração sexual local;  Escola da Ponte como exemplo de autogestão dos jovens…

O Programa Mais Educação repassa recurso direto para as escolas, por meio de transferência voluntária, para ampliação de tempos, espaços e oportunidades educativas. Teremos como meta 50% das escolas públicas em tempo integral (7h) até 2020 – PNE.

Temos que conseguir a garantia das condições básicas e direitos humanos fundamentais, o ensino fica bem mais difícil. Não podemos mais falar em modelo de família estruturada, mas temos que garantir condições básica de organização para  subsidiar a aprendizagem.

 

AVALIAÇÕES

Nos anos 90, sem discutir qual projeto educativo e entender o que a escola deve produzir com os estudantes, o INEP construiu várias avaliações coletivas.

Comparar dados do Brasil com outros países é comparar entes diferente, em virtude do tempo de caminhada de discussão da educação. Além disso, outro países selecionam as crianças que vão fazer o PISA. O Brasil não seleciona as crianças que vão fazer o PISA e leva toda a diversidade da realidade escolar.

O ENEM é uma mudança na concepção de educação, que estamos modificando nos últimos anos.  Vamos alterar as matrizes do ENEM, que cada vez mais será o balizador  do ensino interdisciplinar.

MODELO DE GESTÃO

O fator fundamental para o sucesso das escolas privadas – sucesso humano- é a continuidade das gestões. Temos que ter gestão colegiada. As equipes diretivas não podem ter rupturas drásticas.  Cerca de 60% das escolas públicas sofrem mudanças de gestão, gerando cenários de descontinuidade e instabilidade.

 

CONCLUSÕES FINAIS

“O maior objetivo da escola é que as novas gerações adquiram autonomia.”

Jaqueline Moll

A escola é o local privilegiado de entrada no mundo. Como é o projeto de ensino? Como entendemos a entrada dos jovens na sociedade? Diálogo entre comunidade e escola é fundamental para garantir a educação integral. O que queremos para os nossos filhos? É preciso que todos estejam envolvidos no processo de educação. A escola não é um mundo próprio. A escola é um fator preponderante para a consolidação da democracia. A escola não está desconectada da vida. A Escola é Vida.

 

“É preciso toda uma aldeia para educar uma criança” (Provérbio africano)


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